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Asas da Mente


Baseado em fatos reais que foram narrados por Deborah Schcolnic em seu livro autobiográfico, o espetáculo ASAS DA MENTE estréia contando a história da própria autora, que sofreu de esquizofrenia paranóide. Com o
objetivo de diminuir o preconceito das pessoas em relação à doença, o diretor Bernardo de Gregorio recria as alucinações de Deborah por meio de dança, vídeo, música e poesia, colocando o espectador no lugar da paciente. Para viver suas personagens de maneira mais realista, os atores participaram de workshops para entender a esquizofrenia e a mente de um esquizofrênico.

A mente humana, capaz de viajar no mundo da fantasia e do inconsciente, provoca processos que podem levar um indivíduo à loucura. Com inspiração nesse tema e baseado em fatos reais retirados do livro Minha Vida é um Jardim de Flores (Editora Typus), autobiografia de Deborah Schcolnic, o espetáculo ASAS DA MENTE estréia dia 5 de agosto, sábado, às 21 horas, no Teatro do Centro da Terra. A montagem faz uso de recursos multimídia, como música eletrônica e vídeos (direção de Luaa Gabanini e Thomas Miguez), para contar todo o processo psicanalítico da cura da esquizofrenia paranóide de Deborah, além de relatar alguns dos seus momentos de crise. O espetáculo também utiliza dança (coreografia de Leandro Feigenblatt e expressão corporal de Bernardo de Gregorio) e poesias da própria autora para ilustrar as “viagens” e alucinações da personagem central. O violoncelista Luiz Hernane Barros e Carvalho executa parte da trilha sonora ao vivo.

Adaptação de Marcello Blanko e do psiquiatra e psicoterapeuta junguiano Bernardo de Gregorio, que também assina a direção geral, a peça discorre sobre o processo psicanalítico de uma jovem mulher esquizofrênica que sofre com imagens e vozes vindas do inconsciente. O espectador assume o ponto de vista da protagonista e, aos poucos, vê e ouve suas alucinações e delírios, compartilhando sua angústia e seu processo de cura.

Vivenciando a história de Deborah
No palco, estão os atores da companhia Asas da Mente – Chico Oliveira, Fernanda Padilha, Kadine Teixeira, Luana Tanaka, Mayra Cordeiro, Nilson Santos, Nilton Santos, Patrícia Rizzo, Priscila Braga e Wilson Roque Basso –, que participaram de workshops ministrados por Bernardo de Gregorio, com o objetivo de entender a doença e a mente de um paciente que sofre de esquizofrenia paranóide (doença que, segundo dados de um estudo da Escola Paulista de Medicina, atinge 0,5% da população brasileira a cada ano).

Deborah Schcolnic, autora do texto, acompanhou a montagem desde o início: “Antes, a idéia era montar um DVD baseado no livro, mas Bernardo sugeriu que adaptássemos o meu livro para o teatro. Nesse caminho, ele e Marcello Blanko resolveram incorporar ao texto algumas poesias escritas por mim, o que ficou bem bacana. Eu tenho acompanhado todos esses passos, inclusive os workshops feitos pelos atores. Em alguns, o próprio Bernardo achou melhor eu não participar, porque eles iriam reviver algumas partes dolorosas da minha vida. Mas eu bati o pé e achei que já que estava na chuva, tinha que me molhar. Isso acabou me ajudando a entender o que aconteceu comigo”, explica a autora.

Bernardo de Gregorio conta que, “além desses laboratórios ajudarem os atores a entender o funcionamento da alma, da psique do ser humano, eles também serviram como base para as coreografias que são apresentadas no espetáculo. Em alguns momentos, trabalhamos técnicas de teatro espontâneo e laboratórios de movimentos. Deixei que os atores se movimentassem livremente, criando coreografias que acabaram servindo de base para a construção de algumas personagens que representam seres do Inconsciente Coletivo”, explica.

Desmistificando a esquizofrenia
A idéia da peça partiu da necessidade de Deborah Schcolnic (como portadora de esquizofrenia paranóide, tendo surtado pela primeira vez aos 30 anos e ser internada duas vezes) escrever um livro contando sua história de vida (Minha Vida é um Jardim de Flores), os tratamentos que recebeu, a reação depois que se viu “doente” e o preconceito que sofreu desde então.

“A loucura de Deborah, um delicado mundo intrapsíquico que aos poucos se revela, vai levando o público a conhecer mais de perto o sofrimento imposto pela psicose: não poder contar com uma base sólida, o medo do mundo exterior, a fragilidade frente aos acontecimentos, as dificuldades com os tratamentos, as dúvidas e angústias. Vista por esse ângulo, a doença mental deixa de ser algo distante e teórico para despir-se de todo rótulo e revelar-se em seu aspecto mais humano como fato vivido, afetivo e palpável, do qual ninguém está livre ou afastado”, comenta Bernardo, que completa dizendo que todos nós temos alguns traços de paranóia, assim como um pouco de qualquer doença mental. Porém, as pessoas usualmente conseguem lidar com isso de maneira natural, sem passar por uma psicose. Mas Bernardo afirma que qualquer um de nós enfrenta dificuldades se relacionar com os mistérios do inconsciente.

Consciente e Insconciente
No livro, Deborah Schcolnic descreve exatamente o que aconteceu, narrando de forma linear como eram suas alucinações e como foi todo o seu processo de recuperação. Ao realizarem a adaptação do texto, Marcello Blanko e Bernardo de Gregorio resolveram colocar uma pitada de fantasia no texto, dando vida às alucinações de Deborah. Segundo Bernardo “as lembranças, a imaginação, os mitos arquetípicos, tudo isso foi transformado em personagens. Há até uma personagem batizada de A Poesia, que foi inspirada na mitologia grega: a musa da Poesia Lírica. Além disso, assim como nas alucinações de Deborah, sua sogra, seu professor de faculdade e seu marido surgem de maneira caricata, com suas personalidades distorcidas pelos sentimentos da personagem. Os únicos momentos reais da peça são as cenas entre Deborah e seu psicanalista. O restante são suas alucinações e abstrações”.

Bernardo também usou alguns símbolos para compor o cenário que, segundo Carl Gustav Jung, representam o Inconsciente Coletivo. “Quando falamos no inconsciente, sempre temos a presença de um destes quatro símbolos: mar, deserto, espaço e floresta. Na peça, o cenário é uma floresta sombria, que, com o efeito de iluminação, se transforma em mar ou espaço em determinados momentos da história”, conta ele.

Vídeo e música
Os vídeos e a trilha sonora ajudam a compor o clima do espetáculo. Com direção de Luaa Gabanini e Thomas Miguez, são praticamente uma das personagens da peça: em algumas cenas, criam uma ambientação e, em outras, contracenam com os atores.

A trilha sonora alterna música eletrônica e música clássica ao vivo. O DJ Eugênio Lima criou especialmente para a peça temas eletrônicos sobre músicas orientais. Já o violoncelista Luiz Hernane Barros e Carvalho executa músicas ao vivo. Entre os temas instrumentais, está uma das suítes para violoncelo de Johann Sebastian Bach.

Serviço:

ASAS DA MENTE – Estréia dia 5 de agosto, sábado, às 21 horas, no Teatro do Centro da Terra. Texto original – Deborah Schcolnic. Adaptação – Bernardo de Gregorio e Marcello Blanko. Direção Geral – Bernardo de Gregorio. Direção de vídeo - Luaa Gabanini e Thomas Miguez. Direção Musical: DJ Eugênio Lima. Elenco – Chico Oliveira, Fernanda Padilha, Kadine Teixeira, Luana Tanaka, Mayra Cordeiro, Nilson Santos, Nilton Santos, Priscila Braga e Wilson Roque Basso. Cenário e Figurino – Marcello Blanko. Iluminação – Denilson Marques. Produção – Deborah Schcolnic. Temporada – Sábados, às 21 horas e domingos às 20 horas, com eventos culturais diferentes sempre uma hora antes do início do espetáculo. Ingressos – R$ 20,00. Meia entrada para estudantes. Duração – 90 minutos. Censura – 16 anos. Até 30 de outubro.

Teatro do Centro da Terra – rua Piracuama, 19, Sumaré - São Paulo. Informações: (11) 3675 1595. Vendas e Reservas: (11) 2163 2000 ou www.ingressorapido.com.br. Capacidade – 100 lugares. Bilheteria - no Teatro Centro da Terra, 2 horas antes do espetáculo. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física.

Assessoria de Imprensa
ARTEPLURAL Comunicação
Jornalista responsável - Fernanda Teixeira
MTb-SP: 21.718 - tel. (11) 3885-3671 / 9948-5355
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www.artepluralweb.com.br



28/07/2006, por Nanda Rovere






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