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Maria Padilha estréia Cordélia Brasil no Sesc Paulista


40 anos depois da primeira montagem (com Norma Bengell como protagonista), texto de Antonio Bivar, CORDÉLIA BRASIL, estréia nova encenação com direção de Gilberto Gawronski e a atriz Maria Padrilha no papel-título dia 25 de julho, sexta-feira, às 20h30, no Espaço Décimo Andar da Unidade Provisória SESC Avenida Paulista. No palco também estarão os atores Cadu Fávero e George Saumo, interpretando, respectivamente, as personagens Leônidas Barbosa e Rico, que em 1968 foram vividas por Luís Jasmim e Paulo Bianco, dirigido Emílio Di Biasi. A peça conta a história de uma auxiliar de escritório que, para sustentar seu companheiro e ajudá-lo a realizar seus sonhos, começa a se prostituir.

A direção do espetáculo – que tem luz de Maneco Quinderé, figurino de Marcelo Pies, cenário de Luiz Henrique Sá e trilha sonora de Berna Ceppas - optou por manter o texto original e sem adaptações. Conforme o diretor Gilberto Gawronski, “isso não foi feito por conta de uma busca de uma fiel reconstituição de época, mas para situar a platéia no momento histórico em que a trama se passa. Apesar dos 40 anos que nos separam da década de 60, o texto é muito próximo e nos faz refletir sobre uma identidade de cidadãos que ainda hoje nos é obscura”.

Alguns recursos serão usados como pano de fundo, trazendo a história para dentro da cena de maneira sutil. A encenação mantém, ainda, o humor ácido de Antonio Bivar e a forma afetuosa com a qual ele constrói as relações entre as personagens.

De acordo com Maria Padilha, “o texto de Bivar propõe uma encenação realista com exageros tropicalistas. Ele retrata um Brasil que muitas vezes abandonava suas cores para se americanizar”. A proposta da montagem consiste em concentrar o jogo cênico na relação entre os atores, tendo sempre como efeito principal a simplicidade, evitando truques. "Com um olhar irônico, amoroso e ao mesmo tempo crítico dessas três figuras que se amam e se degladiam dentro daquele minúsculo apartamento", fala Maria Padilha.

Cordélia Brasil é uma mulher que se sacrifica em nome do homem que ama. Para sustentar seu companheiro Leônidas, que sonha em ser escritor de histórias em quadrinhos, Cordélia, além de trabalhar como auxiliar de escritório, começa a se prostituir. Ela traz para casa um jovem cliente de 16 anos, Rico, que acaba morando com eles. Forma-se, então, um triângulo, em que se insinua a cumplicidade entre os dois homens, já que Rico se identifica com o comportamento de Leônidas para com Cordélia. A relação torna-se cada vez mais conflituosa, acabando por precipitar um desfecho trágico.

Sobre a montagem de 1968
Com a proibição pelo Censura (por conter ”amoralidade sem precedentes na história do teatro brasileiro”), Antonio Bivar conta que a peça teve uma leitura realizada no apartamento da jornalista Danuza Leão, em Ipanema, no Rio. Depois, o ator Luiz Jasmim (que fazia e personagem principal ao lado de Norma Bengell), um baiano, amigo de Salvador dali, que também era artista plástico, fez um desenho de bico de pena de dona Yolanda da Costa e Silva, com seus netos. “A primeira-dama fez a cabeça do general e a peça estreou no Rio, em 1968”, conta o autor, completando que depois o espetáculo veio para São Paulo, com o diretor Emílio di Biasi no papel de Jasmim. “Foi quando estourou mesmo”, na opinião de Bivar.

De acordo com Antonio Bivar, ”a peça sofreu perseguições da Ditadura em todas as cidades em que estreou: no Rio jogaram uma bomba no Teatro Mesbla, em São Paulo o Exército seqüestrou a atriz Norma Bengell e em Porto Alegre (onde recebeu outra montagem) a censura proibiu o espetáculo em todo o País, por quase 10 anos”.

Na época da estréia carioca, o autor recebeu de Yan Michalsky (Jornal do Brasil), o seguinte crítica: “Antonio Bivar é o pensamento mais moderno do teatro brasileiro”. Vinte anos depois, recebeu de outro crítico, Sábato Magaldi, o seguinte veredito: “Cordélia Brasil já é um clássico do moderno repertório do teatro brasileiro”. Por Cordélia Brasil e por outra peça sua, Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o sol da Manhã, Antonio Bivar recebeu todos os prêmios de Melhor Autor de 1968, em São Paulo (Molière, Governador do Estado e APCA). Por sua interpretação de Cordélia, Norma Bengell recebeu o prêmio Governador do Estado de Melhor Atriz de 1968 no teatro paulista.

A dramaturgia de Cordélia Brasil foi criada numa época de grande censura, quando os símbolos da nação eram mitificados e seu uso extremamente vigiado. “Aqui queremos colocá-los o tempo todo como presença de um signo que entra sem ser percebido, mas, que aos poucos, vai sendo absorvido pelo olhar do espectador. Figurino, cenografia e trilha darão o tom de um Brasil camuflado. Um Brasil que se suicidava”, completa o diretor.

Conforme Antonio Bivar, a peça “é uma tragicomédia, um clássico, está em forma, não é datado pois não é panfletária, nem política. Além disso, tem uma compaixão, uma ternura, com doses de humor”, completa.


Sobre MARIA PADILHA
Aluna do teatro Tablado, no final de 1979 fundou o grupo Pessoal do Despertar onde fez as peças: O Despertar da Primavera de Frank Wedekind, Happy End de Bertold Brecht e Kurt Weill, A Tempestade de William Shakespeare e o Círculo de Giz Caucasiano de Bertold Brecht. Ainda em teatro atuou em diversas peças como: Lúcia McCartney (Rubem Fonseca), As You Like it, O Mercador de Veneza e Antônio e Cleópatra (Shakespeare), As Três Irmãs (Tchecov), A Falecida (Nelson Rodrigues) e outras. Foi dirigida entre tantos por Marília Pêra, Miguel Falabella, Aderbal Freire Filho, Gabriel Vilella, Ulisses Cruz, Amir Haddad, Ivan de Albuquerque, Rubens Corrêa, Luiz Antônio Martinez Corrêa.

Foi diretora artística do teatro Glória de 1999 a 2001. Recebeu prêmios e indicações Mambembe, Shell, Sharp e Sated como melhor atriz.Em 1980 fez sua primeira novela, Água Viva. Depois vieram Mico Preto de Euclydes Marinho, O Mapa da Mina de Cassiano Gabus Mendes, O Dono do Mundo de Gilberto Braga, Anjo Mau de Maria Adelaide Amaral, O Cravo e a Rosa de Walcyr Carrasco, Mulheres Apaixonadas de Manoel Carlos. Participou de várias mini-séries como: Bandidos da Falange de Aguinaldo Silva, Anos Rebeldes e Labirinto de Gilberto Braga, Decadência de Dias Gomes entre outras. No Cinema fez: Das Tripas Coração de Ana Carolina, Land (David Wheatley), Boca de Ouro (Walter Avancini), Sábado (Ugo Georgetti), Os Matadores Beto Brant), Fim da Linha(Gustavo Steinberg) e Saens Peña-Estação Final (Vinícios Reis, ainda em pós produção). Recebeu Prêmio de melhor atriz no festival de Miami por Os Matadores.


Sobre GILBERTO GAWRONSKI
Nascido em Porto Alegre, Gawronski se despediu da cidade em 1983, com a peça de Caio Fernando Abreu Pode Ser que Seja só o Leiteiro lá Fora. Além de Caio Fernando Abreu, de quem foi parceiro em diversas outras peças, Gilberto Gawronski também trabalhou com nomes como Naum Alves de Souza, Tônio Carvalho (em peça dirigida por ele, Chapeuzinho Vermelho – Em Busca do Coração Secreto, Gawronski recebeu o Mambembe de melhor ator, em 1990), Luiz Antonio Martinez Correa, Gláucio Gil, Fernando Arrabal, Raul Cortez, Cia dos Atores, entre outros.

Além de ter atuado e dirigido espetáculos em palcos brasileiros, Gilberto Gawronski também atuou em teatros de Londres, Sanary-Sur-Mer, Lyon e Nova York com a peça Belle de Nuit, pela qual recebeu o Prêmio Sharp de melhor direção em 1998. No cinema, Gawronski protagonizou o curta-metragem Dama da Noite, dirigido por Mario Diamante, trabalho que lhe deu cinco prêmios como melhor ator em festivais nacionais e internacionais. Rodou também como ator o longa Lara, de Ana Maria Magalhães. Gawronski também exerce a atividade de professor de arte dramática na Casa da Gávea, na Faculdade da Cidade e na CAL.


Serviço
CORDÉLIA BRASIL – Estréia dia 25 de julho, sexta-feira, às 20h30, no Espaço Décimo Andar. Texto original de Antônio Bivar. Elenco – Maria Padilha, Cadu Fávero e George Saumo. Direção – Gilberto Gawronski. Cenário – Luiz Henrique Sá. Figurino – Marcelo Pies. Visagismo – Marcio Mitkay. Iluminação – Maneco Quinderé. Trilha Sonora – Berna Ceppas. Assistência – Estevão Case. Produção Executiva – Déa Martins e Hildo de Assis. Duração – 90 minutos (CONFIRMAR). Capacidade do Espaço Décimo Andar – 90 lugares. Ingressos - R$ 20,00, R$ 10,00 (usuário matriculado e dependentes, + 60 anos, estudantes com carteirinha da UNE, UMES e UBES e professores da rede pública de ensino), R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados e dependentes). Temporada – Até 7 de setembro. De sexta a domingo, às 20h30.

UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA – Avenida Paulista, 119 – Estação Brigadeiro – Fone: (11) 3179-3700. www.sescsp.org.br. Estacionamento conveniado - Leôncio de Carvalho, 98. – R$ 7,00 pelo período de 4 horas.

Assessoria de Imprensa
ARTEPLURAL Comunicação
Jornalista responsável - Fernanda Teixeira
MTb-SP: 21.718 - tel. (11) 3885-3671 / 9948-5355
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15/07/2008, por Nanda Rovere






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