Não é só o frio que atrai os turistas para a Serra Catarinense. Os dias amenos são ideais para os turistas que buscam sossego e vida tranqüila. As diversas paisagens com natureza intocada, cânions, serras, pomares de maçã, parques ecológicos e trilhas são algumas das opções do roteiro. Os hotéis da região se aperfeiçoam cada vez mais, com atividades para relaxar e fazer o visitante esquecer a rotina das grandes cidades.
Nem só nos dias frios a Serra Catarinense é atraente. As temperaturas amenas, entre 10 e 20 graus, agradam os turistas que escolhem o período de agosto a outubro para tirar férias ou simplesmente relaxar durante o final de semana. Paisagens imperdíveis que se estendem na imensidão verde da Serra, onde as araucárias, árvore símbolo da região, se espalham em meio à mata nativa, são algumas das atrações da vida campeira, que pode ser apreciada em hotéis pra lá de aconchegantes. Os turistas são atraídos por uma vida que passa devagar e faz qualquer um esquecer a rotina estressante das cidades.
Pra quem vai encarar o roteiro, é sempre bom colocar na mala casacos quentinhos, porque o frio não costuma avisar. As temperaturas podem cair e a geada chega para transformar a paisagem verde numa imensidão branca. Com frio ou sem ele, a Serra Catarinense é uma ótima opção em qualquer estação no ano.
Na hora de planejar a viagem, é bom optar por um roteiro que inclua mais de uma cidade. Os municípios ficam próximos e oferecem atrações diferentes. A dica é escolher um hotel e fazer pequenas viagens durante o dia.
Bom Jardim da Serra - uma estrada de tirar o fôlego e mais de 30 cascatas
Os visitantes que procuram a Serra do Rio do Rastro encontram uma das paisagens mais bonitas de Santa Catarina. Uma das opções é o pequeno município de Bom Jardim da Serra, que conta com uma serra com 1467 metros de altura, cânions, pomares de maçã e animais de várias espécies. A natureza preservada é uma espécie de refúgio para lebres, gatos do mato, jaguatiricas e pumas, estes mais difíceis de aparecerem para os visitantes. Já os quatis não se assustam com a presença dos turistas e até aceitam ser alimentados.
O caminho para Bom Jardim da Serra – uma estrada em meio a montanhas cobertas por mata nativa – proporciona um passeio que encanta qualquer pessoa. A história da Serra do Rio do Rastro começa em 1870, quando os primeiros habitantes da região, levados pela necessidade de conseguir os gêneros de primeira necessidade que chegavam ao Porto de Laguna, abriram uma trilha na mata. A viagem até a cidade portuária era feita em lombos de burros e a aventura podia levar dias. Na década de 80, a estrada foi pavimentada e iluminada. Mas até hoje mantém nas suas curvas acentuadas uma atração à parte. Além de facilitar a vida dos moradores, a Serra passou a ser o principal destino das pessoas que gostam de curtir a natureza.
A estrada tem 34 quilômetros. A subida começa em Lauro Müller e no alto da montanha fica Bom Jardim da Serra, uma cidade pequena e acolhedora. Ao chegar no topo da Serra, é impossível não parar. No ponto mais alto fica um mirante, de onde é possível visualizar todas as curvas da estrada em meio à mata nativa. Este é o ponto da estrada mais apaixonante, quando se pode ver a imagem completa da Serra, as montanhas, árvores, pedras e pontos em que a água corre morro abaixo, um espetáculo completo visto de apenas um lugar.
Bom Jardim também é conhecida como Capital das águas, são 18 rios que nascem no município, todos afluentes do Rio Pelotas. São mais de 30 cascatas. Nos dias frios, em alguns locais, as águas ficam congeladas, proporcionando um cenário inusitado. Nos lagos da região, os patos andam sobre os pedaços de gelo formados por cima da água.
Eco Resort integrado à natureza
Os hotéis e pousadas da região estão sofisticando cada vez mais suas instalações. Em Bom Jardim da Serra, o empresário Roberto Cascaes, do Rio do Rastro Eco Resort, resolveu inovar e montou a infraestrutura completa de um Eco Resort. “Nossa intenção é proporcionar o máximo de conforto ao hóspede, mas sem perder o foco de hotel, que tem como principal atração a natureza”.
A área total do eco resort é de 2 milhões de m² onde foi construída uma estrutura de 3600 m². São 18 cabanas, com paredes de pedra, lareira e banheira, todas elas com vista para os lagos e o verde que cerca toda a propriedade. Também foi construído um spa com sauna, piscina aquecida, sala de jogos, home theater, sala de massagem, bar panorâmico, piscina e hidromassagem tudo para dar mais conforto ao visitante. “É muita mordomia e muitas belezas para contemplar”, diz o publicitário Luiz Carlos Pereira, que é cliente do hotel.
O hóspede que quiser mudar a rotina pode ainda ajudar na “lida” na fazenda, cuidando dos animais. “Alguns hóspedes passam o dia com os nossos funcionários para entender como funciona a fazenda. Queremos mesmo a integração completa do turista para que ele viva alguns dias como uma pessoa do campo”, diz Cascaes. Para conhecer toda a propriedade, é possível fazer caminhadas por trilhas e chegar aos três mirantes que ficam dentro da fazenda.
Quem quiser pode fazer o passeio a cavalo. Uma das paisagens mais bonitas fica escondida e só os turistas que encontram um bom guia podem ter o privilégio de apreciá-la: um cânion com mata nativa, natureza intocada e uma vista de tirar o fôlego. Para os casais que estão em lua de mel, o hoteleiro criou uma forma criativa para servir café da manhã - uma mesa é montada na boca do cânion, a aproximadamente 1500m de altitude. A intenção do hoteleiro Roberto Cascaes é oferecer um atendimento diferenciado. “Não somos um hotel fazenda. Aqui o cliente vai encontrar tudo que precisa para relaxar sem perder o contato com a vida no campo”, finaliza Cascaes.
Gastronomia
Nos hotéis, o cardápio é uma atração à parte. A comida é feita em fogões a lenha, o cozimento é mais lento e os alimentos mantêm o sabor e ficam mais irresistíveis com a mistura de temperos. Do café da manhã ao jantar, são servidas comidas típicas da região e muitos produtos são cultivados no próprio hotel. No café da manhã do Rio do Rastro Eco Resort, por exemplo, há queijos, bolos, biscoitos, geléias e doce de leite que são produzidos na cozinha do resort. Até o peixe servido é pescado nos lagos da propriedade. Um dos principais pratos é a truta na massa de sal, assada sobre pedra de mármore. Ainda é possível saborear ovelha ao creme de menta e frescal - carne salgada antes do preparo e seca em temperatura ambiente - servido com moranga caramelada. Como há muitas árvores de araucária na região, o pinhão é encontrado em grande quantidade. Os pratos geralmente são servidos com paçoca de pinhão, uma iguaria típica de Santa Catarina feita com pinhão triturado e misturado com carnes e temperos.
Lendas e vida campeira
Depois de curtir a paisagem, a melhor opção é voltar para o hotel, geralmente os hoteleiros preparam atrações para os hóspedes ficarem dentro da propriedade. No Rio do Rastro Eco Resort, foi construído um típico galpão gaúcho onde acontecem festas e a tradicional roda de chimarrão. E é nessas horas que os turistas conhecem os contadores de histórias. Nessa região, as lendas nunca morrem e passam de geração para geração.
Um dos proprietários do Eco Resort, Ivan Cascaes, não perde a oportunidade de contar histórias, muitas reais e outras nem tanto, aos hóspedes que escolhem Bom Jardim da Serra para descansar. A narração de Seu Ivan faz com que o turista visualize um mundo imaginário que ainda habita a mente dos moradores.
Uma das lendas diz: Juca do Amaral, um rico fazendeiro, viúvo e pai de uma filha lindíssima, acabou ficando sozinho com seu tesouro depois do falecimento da moça. O fazendeiro abastado não tinha para quem deixar o seu tesouro. Então, numa madrugada com muita neblina, levou um escravo a determinado lugar, enterrou o tesouro e executou o escravo para não contar onde estava o ouro. Os moradores dizem que, enquanto alguém não achar o tesouro, o espírito do escravo ficará vagando pelos campos, aterrorizando as pessoas com seus gritos.
Até hoje ninguém encontrou o tesouro. Mas seu Ivan continua a “prosa” dizendo que o maior tesouro é a paisagem do lugar, a hospitalidade do povo e amizades que são conquistadas todos os dias no Resort. O turista que for a Santa Catarina vai voltar pra casa com muitas histórias para contar.
Roteiros para um passeio completo não faltam. Difícil vai ser voltar para a rotina das grandes cidades.
São Joaquim – Capital da Maçã
São Joaquim, conhecida como a capital da maçã, fica a 45 quilômetros de Bom Jardim da Serra. A cidade que é conhecida por ser uma das mais frias do Brasil não tem como única atração a neve. Os dias com temperaturas amenas são ideais para conhecer o Parque Nacional da Maçã, onde é possível encontrar o artesanato do Planalto Serrano. Para quem gosta de apreciar a natureza, uma boa dica é visitar o Parque Ecológico. São 30 hectares cobertos por mata, com diversas trilhas, quem resolver conhecer a floresta é preciso sempre estar acompanhado de um guia. O parque fica nas margens da SC-438.
Urubici – Uma cidade gelada
Para quem quer está na região e quer sentir frio, a sugestão é pegar o carro e seguir para Urubici. No município, fica localizado o Morro da Igreja, com 1828 metros de altura. O pico, onde a temperatura mais baixa já registrada foi de 17 graus abaixo de zero, é considerado o mais gelado do Sul do Brasil. Mesmo nos dias de temperatura amena, no Morro da Igreja a temperatura é sempre mais baixa do que em outros locais. Do alto do morro, é possível avistar parte do litoral de Santa Catarina e um grande cânion. Urubici tem menos de 10 mil habitantes e hoje conta com 17 empreendimentos hoteleiros, entre pousadas, hotéis fazendas e albergues.
Serra do Corvo Branco, pura aventura
A Serra do Corvo Branco liga Urubici ao litoral Sul com altitude de 1470 metros. Quem já passou pela estrada geralmente define o passeio como uma aventura. O trajeto precisa ser feito com cuidado, a estrada é estreita e as curvas são fechadas. O nome da Serra é uma referência a uma figura formada pelas rochas. Olhando para as encostas íngremes, é possível ver a figura de um corvo.
Serviço:
Bom Jardim da Serra
Rio do Rastro Eco Resort
Onde: Rodovia SC 438 – Km 30, Bom Jardim da Serra.
Informações: 48 491 2610
www.riodorastro.com.br
Como chegar: Bom Jardim da Serra fica às margens da SC 438. Quem sai de Florianópolis pode optar pela BR 101 e seguir em direção a Tubarão. A Serra do Rio do Rastro começa na altura de Lauro Müller.
Outro caminho é pela BR 282 em direção a Urubici.
São Joaquim
São Joaquim Parque Hotel
Praça João Ribeiro, 58 – Centro
(49) 233 1444
Como chegar: Saindo de Florianópolis e seguindo pela BR 101, depois de Tubarão é só seguir para Lauro Müller. A cidade fica nas margens SC 438.
Urubici
Serra do Corvo Branco, Km 30
Como chegar:
Saindo de Florianópolis, pegar a BR 282 no sentido de Lages.
Eliane Ramos
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