Ao pesquisar um tema para uma nova matéria dessa coluna, me deparei com esse texto acima de Lynn Hirschberg, cujo título é ´´She wears pants´´ para Haper´s Bazaar, e não pude deixar de relembrar uma passagem de minha infância, uma parte em que me deparei talvez com a primeira imagem fashion de minha vida, uma foto de uma revista antiga que minha mãe guardava.Essa revista trazia Bianca Jagger, no tempo em que era casada com Mick e fazia parte do jet-set internacional, a foto então trazia Bianca de terninho um excêntrico chapéu coco e uma bengala na mão o que me espanta é que por mais esquisita que ela pudesse parecer, ela nunca foi ridícula, ao contrário, parecia estar ótima e perfeitamente bem vestida.
Dessa maneira, por mais loucas que fossem as referencias de Bianca, ela estava sempre bem fundamentada com seus garbosos terninhos feitos sob medida, emanava um ar de calma e propriedade.
Diante dessa imagem, pude perceber e tomar consciência de que um bom terninho é o triunfo da estrutura e do planejamento, e um premio criterioso do artifício.Pode nos fazer parecer mais alta, mais magras, mais poderosas e mais seguras do que realmente somos.Já um terninho malfeito pode nos levar a ruína, pois nos deixa desajeitadas e inseguras.
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Mick e Bianca Jagger recém casados
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Se o terninho não foi bem cortado nem foi construído com competência,não há verniz superficial que salve ,um terno celebra a habilidade de quem o confeccionou como nenhum outro item do vestuário faz.
Não há dúvidas de que os terninhos são mais aerodinâmicos do que seus irmãos de saia: eles são construídos para propiciar praticidade, em vez dos tailleurs que são desenhados para impressionar.Para um terninho ser bem-sucedido em sua composição deveria haver um elemento de anonimato-o que importa não é chamar a atenção para si, porque sua finalidade é tornar elegante quem o veste, e a elegância nunca é espalhafatosa.Infelizmente, o tailleur nos faz pensar em tênis branco, café frio e todos aspectos esteticamente deprimentes do trabalho diário.Hà nos melhores tailleurs uma elegância dramática que nos faz ultrapassar o reino do cotidiano.
Na linguagem da moda, o terninho é sinônimo de poder.Ele é o uniforme da autoridade, tanto que ás vezes se refere coloquialmente ás que usam como´´ doutoras´´.Assim como outras tantas roupas de mulher, o terninho se originou de vestuário masculino-talvez daí venha associações com status mais elevados.
Em sua versão mais amável, de saia, isto é, como tailleur, ele trasmite um tipo de autoridade neutra; ou seja, enfatiza o status de quem o usa, mas ao mesmo tempo lembra a todo momento que se trata de uma fêmea.
Mas um terninho feito como o masculino numa mulher é duplamente provocativo: sugere tanto a influência direta do terno tradicional como as implicações eróticas de uma mulher num traje masculino.As mulheres que fizeram do terninho o seu emblema –Marlene Dietrich, Katharine Hepburn, Françoise Hardy, Bianca Jagger – são sem sombra de dúvida, sensuais, porem de forma discreta, um tipo de mulher que possui uma sexualidade como uma espécie de corrente submarina, em vez de um tsunami, e elas sabem como se mostrar arrogantes, mas é tudo lógico, moderadamente.Uma mulher em um terno de homem, desde que não esteja tentando disfarçar o fato de ser mulher, é sempre provocante.
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Marlene Dietrich que fez do terninho seu emblema
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Marlene no filme Marocco em 1932 que sacudiu o público com cenas picantes
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A atriz alemã Marlene Dietrich, que o diga, pois quando apareceu em 1932 no filme Marocco com um smoking, as suas sobrancelhas finas feita á lápis e a boca de cupido foram o suficiente para sacudir o público.Quando ela se inclinava e beijava outra mulher, as platéias nos cinemas escuros entravam em delírio.
Assim, Dietrich ao zombar das convenções -pois as mulheres da época não usavam calças- ajudou a mudar uma visão ultrapassada que vigorava na época.
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Terninho de corte masculino
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O terninho foi sem dúvida o mais revolucionário avanço da moda, nele uma mulher poderia ser tanto uma sereia como uma mulher de negócios –uma combinação que se destacou numa famosa campanha publicitária dos anos 70, feita para o perfume Charlie da Revlon, os anúncios focalizavam mulheres vestindo ternos YSL, atravessando com passadas largas uma cidade que estava preste a cair em suas mãos.
Desse modo, muito poucas mulheres hoje em dia preferem usar tailleurs.Só as que têm trabalhos muito cheios de nove horas se acham na obrigação de usá-los.Estilistas como: Helmut Lang e
Nicolas Ghesquiére (que em geral criam para homens, mas que as mulheres chiques preferem)
fazem terninhos que combinam com a imagem que as mulheres querem ter hoje em dia: bem tratadas, capazes e confiantemente sensuais.Seus ternos são extremamente modernos, qualidade que constitui o principal atrativo desse traje.Além disso, numa época em que o ritmo da moda é tão feroz, o terno consegue oferecer malícia, inteligência e poder de permanência.
Como disse Isabella Rosselini para a revista In Style: Há muitas coisas que são difíceis de usar: saias justas, saltos altos.Eu os uso quando sei que voltarei para casa dentro de duas horas, mas a maior parte de tempo estou fora de casa das oito da manhã ás sete da noite.Ternos de homem se tornaram uma solução para mim.São inacreditavelmente confortáveis e sensuais´´
Essa posição de Isabella foi reforçada pela presença de duas atrizes
de sucesso –Angelina Jolie e Jennifer Aniston –vestindo ternos de corte masculino.Jolie de branco puro e Aniston, num preto sofisticado, usaram seus ternos durante entregas de prêmios, acontecimentos que normalmente exigem os vestidos ´´habillés´´, mais justos e decotados que um estilista possa fazer.as duas estavam sem nada sob seus casacos, e ambas estavam fabulosas: sensuais, confiantes e despreocupadas.
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Angelina Jolie na entrega do Oscar
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Isso me fez lembrar de uma foto lindíssima de Helmut Newton, quem gosta de fotografia sabe o quanto uma foto desse gênio nos mostra, o tema é uma mulher esbelta com um terno de corte masculino, seu cabelo é partido de lado e penteado para trás, uma de suas mãos descansa n bolso da calça e a outra protege um cigarro.A pose dela nos remete a um homem elegante e inconseqüente, o mais interessante é que ao contrário da maioria dos temas de fotos de moda, ela não se preocupa envolver nem mesmo admitir o espectador
Ela irradia uma grande autoconfiança, efeito que sustenta em sua postura
desafiadora que lógico, é sustentada pelo traje que veste.
A modelo que pousou para Newton chamada, Vibeke Bergeron, disse, algum tempo depois: ´´Nunca tive vontade de ter nenhuma das roupas que eu provava até vestir aquele terno Saint Lauren.Eu me sentia bem, e me sentia fantástica.Eu estava tensa, mas também me sentia bela´´.Depois disso, contou a modelo, ela passou a usar terninhos, o que faz até hoje.
Entendo essa modelo, pois quando vi a foto de Bianca Jagger, quando eu era ainda apenas uma criança não pude ficar indiferente, e talvez toda essa admiração e sentimentos que essa peça desperta em mim, tenha sido um dos grandes responsáveis pela escolha de minha profissão...
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A modelo Vibeke Bergeron em foto de Helmut Newton
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Bibliografia
Sykes,Plum.´´Caught in customs´´.Vogue 2002
Lurie,Alison.The language of clothes.Owl Books 2000
Smith, Nancy.The Classic Ten.Planet 2003