"A noiva-cadáver"
por Viviane Araújo
Amigos leitores, o ano está se encerrando. Pelo que posso notar, 2005 já foi para conta, fechou, encerrou-se, já era! Faltam apenas alguns poucos dias para renovações mil em nossas vidas, certo? Claro. Contudo, há coisas que precisamos manter, resguardar, deixar em "stand by", até que nem a morte os separe de nós. Vocês irão perguntar: "Vivi está com encosto?". Não caro leitor, nem tanto. Mas, estou com muitas dúvidas.
Como a linda história de Tim Burton levada as grandes telas de cinema neste ano, eu também alimento uma sombra em mim, que em 2006 terá que clarear, ganhar luz e liberar seus mistérios. Como a perdida noiva-cadáver a vagar pela floresta em busca da aliança certa que a interceda, eu ando por este mundo dos vivos, querendo entender quais são minhas chances em achar a chave deste meu segredo.
O leitor pode estar um pouco confuso com tantos enigmas, mas eu explico. Para quem não viu o filme de Tim Burton (por favor, vejam, porque Tim é sempre Tim!), a película é uma animação, com técnicas para lá de atuais em desenhos, que conta a história de uma menina, já morta, que finalmente acha seu grande amor, por uma grande coincidência do destino (ou eu diria "sincronicidade"?).
Como Tim Burton não falha no humor irônico, quase sarcástico e descompromissado de qualquer moralismo redundante de Hollywood, o noivo da moça é de um mundo totalmente diferente dela, literalmente! Ele faz parte do mundo dos vivos e, ela, dos mortos! Aí começa todo o desenrolar da trama muito bem escrita para o cinema, com trilha sonora digna de Tim Burton e uma luz que sinceramente não é trabalho só de 3D não, tem que ter talento!
Ok. História contada, leitor bem explicado sobre o filme. Entretanto, o que isso tudo tem de semelhante a vida da jornalista? Agora eu digo: o senso de "lar". Sim, "lar", "home", "casa", "chão","meu". Estou naquele clichê pós-festas natalinas, quando paramos, refletimos e buscamos nossas metas para o próximo ano e, ao ver este filme, ficou latente, assim como a bela noiva-cadáver, minha sensação de procura eterna e insatisfação.
Não estou desanimada, pelo contrário, estou muito excitada para 2006. Mas, tem um ponto que me mantém fixa e estatelada, quando o assunto também se refere ao outro. Quando a resposta está em nós, é mole. Umas auto-análises resolvem em segundos. No entanto, quando a resposta que queremos, a chave do mistério ou a porta de entrada está no outro, não tem jeito, temos que esperar e esperar e esperar... Para seres ansiosos, como eu e a noiva-cadáver, se torna muito complicado esse "aguardar" do tempo do outro, que muitas vezes, está em um mundo totalmente diferente do nosso.
Meus amigos leitores de 20's, o final do filme de Tim Burton me reservou uma linda surpresa, que me levou sinceramente às lágrimas. Me deixei perceber que nem tudo o que desejamos é aquilo que precisamos e, notoriamente, esquecemos de viver o nosso mundo. Eu estou em busca do meu espaço, do meu canto, do meu "lar doce lar" no mais amplo sentido desse termo e, acredito que assim como o filme de Tim, há muitas moradas neste planeta esquisito, azul, delirante e excessivamente belo!
Portanto, que em 2006 todos nós possamos achar o que procuramos. Que todos nós possamos começar aquilo que queríamos. Que todos nós possamos amadurecer nossas histórias. Que todos nós possamos ter estas histórias como um lindo filme para contar. Que todos nós sejamos menos ansiosos para esperar aquilo que só o destino nos reserva. E que, finalmente, todos nós possamos fazer de 2006, um ano para renovar tudo o que não só desejamos, mas que se faz necessário recomeçar!
Viviane Araújo é jornalista e uma noiva-nada-cadáver em busca da chave do "lar".
BONUS:
Histórico do filme:
A Noiva-Cadáver - (Corpse Bride) - 2005
Diretor: Tim Burton e Mike Johnson
Elenco: Johnny Depp/ Helena Bonham Carter/ Emily Watson/ Christopher Lee.
Curiosidades: A história do filme é baseada em um conto russo bastante popular.