Ahá! Aposto como leu o título e correu enviar um e-mail do tipo:
"Ô, Persona, sabe escrever não, compadre? O correto é assessoria de
imprensa!". Tudo bem, se já enviou eu aguardo.
Se ainda não enviou deve estar lendo este parágrafo e vai
descobrir que escrevi "ascensoria" no sentido de "ascender", como
faz o ascensorista com o elevador. Sei lá se tirei do latim, do
italiano ou inventei. Se eu não estiver errado, estou certo.
Também pensou que escrevi errado "ascender"? Não, não é acender
com fósforo... O que quero mesmo é que você saiba que a imprensa
pode ser um excelente meio de você subir na carreira,
principalmente se seu negócio for vender sapiência. Não, sapiência
não é uma espécie de sapo; estou falando de vender tutano. Ai,
ai... você pensou em mocotó?!
Deixa pra lá, o importante é criar um bom relacionamento com
jornalistas para se tornar fonte deles. Não, esqueça a água. Fonte
de informação. E principalmente fazer com que ele entenda muito bem
o que você quer dizer, para evitar um
mal-entendido. Fui muito óbvio?
Antes, porém, uma palavra de alerta: jamais tente fazer propaganda
de você ou seu negócio através de um jornalista. Nada de jabá. Não,
eu não disse jaca, cajá e nem fubá. Falei para não subornar para
aparecer. Isso sim faria você acender, ao invés de ascender, e
acabar se queimando.
Há várias formas de você aparecer nos jornais, mas procure evitar
as páginas policiais. Tudo começa ganhando um espaço no caderninho
do jornalista. É claro que não é assim, da noite para o dia. Você
precisa ser ou ter algo que interesse a imprensa.
Se for especialista em alguma área, ficará mais fácil se escrever
sobre isso em sites e blogs. O jornalista poderá encontrar seu
texto ao pesquisar para uma pauta, por exemplo.
Se não for bom em coisa alguma, não se desespere. Não precisa ser
o melhor para aparecer, pode ser até o pior. Outro dia vi uma
matéria sobre o pior time de futebol do mundo, o Íbis Sport Club de
Pernambuco. Viu? Existe esperança para você também.
Digamos que você seja cobra em minhocas. Algum jornalista poderá
querer entrevistá-lo para matérias do tipo "Minhocas na recuperação
do solo", "Iscas ecologicamente corretas" ou, se for um desses
inexperientes que acreditam em e-mails de boatos alarmistas,
"Receita de hamburger".
Você também poderá ser entrevistado para matérias no rádio ou TV
e, neste caso, a entrevista pode ser presencial ou por telefone, ao
vivo ou gravada.
Se for por telefone e estiver trabalhando em casa como eu, tire o
pijama e vista algo decente para sentir-se arrumado. Isso ajudará
na autoconfiança, timbre de voz e coisas assim. Mas não precisa
colocar gravata e passar perfume, como a gente faz aqui no interior
para telefonar para a capital.
Entrevistas por telefone podem ser até mais difíceis, se você for
desses que não conseguem conversar de olhos abertos ou sem caminhar
pela sala. Tudo bem, caminhe ou feche os olhos, só não faça as duas
coisas ao mesmo tempo.
Na TV a coisa é mais complicada, pois envolve imagem e linguagem
corporal. Se for ao vivo, então, nem se fala. Mesmo assim, você
pode evitar um desastre se conversar antes com o repórter que irá
entrevistá-lo. Eu não conversei e não evitei.
Estávamos em 1998 e eu era diretor de uma empresa de Internet que,
por ser novidade, era um tema bastante requisitado para entrevistas
na TV. O cenário, nosso estande em uma feira de negócios, com
vários computadores ao fundo e a garotada navegando.
Quando a equipe da TV chegou, imediatamente pensei no que falar:
tranqüilizar as mães que estavam cancelando nossos serviços,
preocupadas com a pornografia na Web. A fim de reverter isso,
preparei-me para exaltar a importância das pesquisas escolares e do
acesso a museus e enciclopédias. Mas o repórter estava com a cabeça
em outro lugar.
Ele chegou bem na hora de irmos ao ar, avisando que inventaria que
estávamos navegando, só para criar um gancho. Imediatamente fomos
tele-transportados a centenas de lares, e colocados diante das mães
preocupadas que eu queria tanto impressionar.
Em pé, ao lado do repórter, sorri para a lente um sorriso cândido
que amarelou logo que ouvi o gancho que o rapaz tinha acabado de
inventar:
-- Boa noite, telespectadores! Eu e o Mario Persona estávamos há
pouco navegando na Web e vendo as meninas no site da Playboy...
Mario Persona www.mariopersona.com.br é palestrante, consultor e autor de Marketing Tutti-Frutti e Marketing de Gente.